Pensando a Pandemia V

Atualizado: Jun 24


A semana começou com a notícia de que as UTIs da nossa cidade estão com ocupação máxima. A prefeitura voltou a fechar o comércio e seguimos em casa esperando o pesadelo passar.

Lembrei do desenho que fiz inspirada em um conto que mami compartilhou.

Desenhar, pintar e costurar são meios de meditação e reflexão. Me perco nos movimentos repetidos do lápis ou da agulha em um momento meditativo, ou reflito enquanto crio.

E desenhando, eu que comecei preocupada e temerosa aos poucos fui mudando meu sentimento para pura gratidão. Ter a oportunidade de falar diariamente com a minha família mesmo cada um estando em um canto da terrinha é um privilégio.

Morar e trabalhar com meu companheiro da vida e filhos é outro.

Estar com saúde, ter o Jefferson ao meu lado, ter trabalho, bons e amados amigos.

É uma lista grande.

E aí vem o texto que mami compartilhou:


"Isso também vai passar"

Um rei carrega no seu anel uma mensagem do seu serviçal que diz que a mesma só deve ser lida em momentos em de desespero. Em meio a uma guerra e sem saída ele lembrou do anel e lá estava isso também vai passar. Ele sentiu tudo silenciar, seus inimigos se perderam e ele estava salvo. Guardou seu anel e com seu exército ele venceu a batalha e conquistou um novo território. Ao voltar a vitória era comemorada e o rei aclamado por seu povo. E o velho serviçal sussurra em seu ouvido: leia a mensagem no anel, ela serve não só para os momentos de desespero mas também para os bons momentos. E ao ler mais um vez "isso também vai passar", o rei sentiu o silêncio na multidão e seu orgulho desapareceu. Ele entendeu a mensagem.

Você se lembra de tudo o que te aconteceu? Nada é permanente, nenhum sentimento fica. Enquanto a noite se transforma em dia, os momentos de alegria e desespero tomam o lugar um do outro. Aceite isso como a natureza das coisas, como parte da vida.


E das coisas que passaram eu trago a tristeza de aos domingos não poder ligar para minha avó. Ouvir suas reclamações seguidas por sempre lúcidos pensamentos sobre política e um lamento de saudade.

Não tenho mais meus avós emprestado pelo Jaime e passar na frente da chácara deles é saber que se eu buzinar ninguém vai abrir o portão e não vai ter café para acompanhar uma tarde inteira ouvindo contos que eu já sabia de cor.

Nunca mais vou saborear a única feijoada que eu comia. Minha tia subia na escadinha para alcançar o caldeirão enquanto meus primos e amigos riam na sala vigiados pela bailarina sentada no quadro.


Mas passou a dor de perder minha querida Tia Zezé. Passou a dor do adeus ao Gumercindo e Dona Luzia. A dor de segurar a mão da Abuela enquanto ela dava seu último respiro está mais fraca.


E sei que essa pandemia, preocupação e angústia também vão passar.


O desenho eu deixo aqui para quem quiser colorir e refletir, que são duas coisas boas, não é mesmo?

THIS TOO
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