Uma música que quando escuto penso que foi feita pra mim. Vinícius e Toquinho me conhecem com certeza!

Cadernos me seguiram e ainda ficam comigo desde os primeiros rabiscos. Neles guardo sonhos, pensamentos, medos, aspirações e muitos desenhos.

Lápis de cor, giz de cera e de vez em quando tinta. E vou desenhando, colorindo e guardando num cantinho especial.

Agora também descobri programas de design e aos pouquinhos meus desenhos ganham cores na tela luminosa. Estou aprendendo mas já tenho coragem de deixar aqui para a posteridade minhas ilustrações.

Uma moça tomando chá, com flores no cabelo, quem sabe se acalmando, talvez se aquecendo.

E do caderno colorido ela vai para a tela e ganha outras cores e até um preto e branco para quem quiser colorir do seu jeito e trazer novas moças para o mundo. Só peço a você um favor, se puder. Não a esqueça num canto qualquer.

Para quem não conhece a música aqui vai a letra, mas merece ouvir o Toquinho para se emocionar:

Sou eu que vou seguir você Do primeiro rabisco até o be-a-bá. Em todos os desenhos coloridos vou estar: A casa, a montanha, duas nuvens no céu E um sol a sorrir no papel.

Sou eu que vou ser seu colega, Seus problemas ajudar a resolver. Te acompanhar nas provas bimestrais, você vai ver. Serei de você confidente fiel, Se seu pranto molhar meu papel.

Sou eu que vou ser seu amigo, Vou lhe dar abrigo, se você quiser. Quando surgirem seus primeiros raios de mulher A vida se abrirá num feroz carrossel E você vai rasgar meu papel.

O que está escrito em mim Comigo ficará guardado, se lhe dá prazer. A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer. Só peço a você um favor, se puder: Não me esqueça num canto qualquer.


E aqui vai um pdf para imprimir:

chá
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A semana começou com a notícia de que as UTIs da nossa cidade estão com ocupação máxima. A prefeitura voltou a fechar o comércio e seguimos em casa esperando o pesadelo passar.

Lembrei do desenho que fiz inspirada em um conto que mami compartilhou.

Desenhar, pintar e costurar são meios de meditação e reflexão. Me perco nos movimentos repetidos do lápis ou da agulha em um momento meditativo, ou reflito enquanto crio.

E desenhando, eu que comecei preocupada e temerosa aos poucos fui mudando meu sentimento para pura gratidão. Ter a oportunidade de falar diariamente com a minha família mesmo cada um estando em um canto da terrinha é um privilégio.

Morar e trabalhar com meu companheiro da vida e filhos é outro.

Estar com saúde, ter o Jefferson ao meu lado, ter trabalho, bons e amados amigos.

É uma lista grande.

E aí vem o texto que mami compartilhou:


"Isso também vai passar"

Um rei carrega no seu anel uma mensagem do seu serviçal que diz que a mesma só deve ser lida em momentos em de desespero. Em meio a uma guerra e sem saída ele lembrou do anel e lá estava isso também vai passar. Ele sentiu tudo silenciar, seus inimigos se perderam e ele estava salvo. Guardou seu anel e com seu exército ele venceu a batalha e conquistou um novo território. Ao voltar a vitória era comemorada e o rei aclamado por seu povo. E o velho serviçal sussurra em seu ouvido: leia a mensagem no anel, ela serve não só para os momentos de desespero mas também para os bons momentos. E ao ler mais um vez "isso também vai passar", o rei sentiu o silêncio na multidão e seu orgulho desapareceu. Ele entendeu a mensagem.

Você se lembra de tudo o que te aconteceu? Nada é permanente, nenhum sentimento fica. Enquanto a noite se transforma em dia, os momentos de alegria e desespero tomam o lugar um do outro. Aceite isso como a natureza das coisas, como parte da vida.


E das coisas que passaram eu trago a tristeza de aos domingos não poder ligar para minha avó. Ouvir suas reclamações seguidas por sempre lúcidos pensamentos sobre política e um lamento de saudade.

Não tenho mais meus avós emprestado pelo Jaime e passar na frente da chácara deles é saber que se eu buzinar ninguém vai abrir o portão e não vai ter café para acompanhar uma tarde inteira ouvindo contos que eu já sabia de cor.

Nunca mais vou saborear a única feijoada que eu comia. Minha tia subia na escadinha para alcançar o caldeirão enquanto meus primos e amigos riam na sala vigiados pela bailarina sentada no quadro.


Mas passou a dor de perder minha querida Tia Zezé. Passou a dor do adeus ao Gumercindo e Dona Luzia. A dor de segurar a mão da Abuela enquanto ela dava seu último respiro está mais fraca.


E sei que essa pandemia, preocupação e angústia também vão passar.


O desenho eu deixo aqui para quem quiser colorir e refletir, que são duas coisas boas, não é mesmo?

THIS TOO
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Mais um dia nessa pandemia, que agonia!

Acordo cedo, um privilégio que chega com o tempo. Penso que não vou levantar, tento conversar mais um pouquinho com Morfeu mas ele está ocupado com Lucas ou João (os rebentos).

Levanto e com o pé direito dou meu primeiro passo em direção ao banheiro, passo pelo espelho mas não olho, primeiro o xixi. Pronto.

Agora sim, -Oi espelho, oi eu! Um sorriso de bom dia, lava a cara e vamos.

Jefferson finge que dorme mas espera seu carinho que sempre vem. Desço a escada e encho a chaleira. Enquanto a água ferve abro as portas, dou uma espiada no céu (hoje estava lindo, nuvens cinzas permeadas por raios do teimoso sol anunciavam uma chuva que não veio), volto para a cozinha, coloco o pão para torrar e com a água fervida faço um café.

Há quantos anos essa rotina é a mesma eu já nem conto. Pego a bandeja, coloco minha torrada com manteiga e mel, meu café e um copo de água com gás para depois. Subo a escada e agora que não preciso mais acordar filho vou direto para o sofá. Youtube ligado em algum canal que me diga como está o mundo e Jeff atento ao pedaço de pão que lhe cabe.

Jaime (namorado, porque marido eu recuso: não casamos e é assim que é) acorda depois sempre resmungando. Eu já trabalhando pergunto o que foi, ele diz que é nada e eu já deveria saber que ele gosta de reclamar. Desce para comer ovo mexido com expresso. Volta e eu me vestindo para a academia ouço no rádio alguém dizendo que 2020 foi cancelado.

Como assim cancelado?

Um acontecimento que deixa o mundo na mesma sintonia, para tudo, faz o planeta se resguardar em casa! Vamos fingir que não aconteceu? Não mesmo!

Tomara que a gente nunca esqueça. Que cada dia traga algo transformador e que a gente aprenda a lição.

Sei que não vai ser hoje e que no momento é só ruído, mas pensa depois. Temos bilhões de vozes pelo mundo dizendo o que acontece. Estamos fazendo mel!

ABELHA
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E mais um desenho para colorir de presente: